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12/01/2009

MASTITE PUERPERAL

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Mastite Puerperal

Dr. Vander Guimarães Silva

Professor da disciplina de Tocoginecologia da Fac. de Medicina de Petrópolis – RJ Médico Obstetra do Instituto Fernandes Figueira – Rio de Janeiro – RJ Doutor em Ciências pela FIOCRUZ

Contato: Contato: vguimaraes@iff.fiocruz.br


O que é a mastite puerperal?

A mastite é uma infecção aguda da mama, que geralmente incide sobre as mulheres, principalmente as primigestas, na primeira ou segunda semana após o parto. Geralmente é unilateral, podendo comprometer apenas uma parte da mama (mastite lobar e mastite ampolar) ou todo o órgão (mastite glandular). Os casos que não forem bem conduzidos e tratados podem evoluir com a formação de abscessos e até mesmo para um quadro de infecção generalizada, denominado septicemia.

Quais são as suas causas?

Em mais da metade dos casos, o microorganismo causador da mastite é uma bactéria chamada Staphilococus aureus. Porém, outras bactérias, bem como fungos e demais parasitas, podem atingir as mamas, causando sua infecção.

A mastite puerperal aparece em decorrência de um somatório de fatores, que juntos contribuem para a instalação do processo: uma sucção deficiente e incompleta da criança pode levar ao acúmulo de leite, denominado ingurgitamento mamário. Se além do ingurgitamento apresentado pela mãe, a criança apreende de forma inadequada a aréola mamária durante a sucção (pega incorreta), traumatismos poderão se formar nesta região, gerando fissuras, que servirão como porta de entrada para os microorganismos causadores da mastite. A falta de sono, o estresse, a má alimentação e o cansaço físico podem contribuir, diminuindo ainda mais a resistência da mãe.

Quais os sintomas apresentados?

Os sintomas mais freqüentes são aumento do volume mamário, dor, vermelhidão (rubor) e calor na região da mama que está comprometida. Além destes sintomas locais, outros gerais, tais como febre alta, prostração, inapetência (desânimo), tremores e calafrios podem acompanhar o quadro.

Como é feito o diagnóstico?

            O diagnóstico é basicamente clínico, baseado na história apresentada pela paciente e nos sinais e sintomas descritos acima. Nos casos que têm uma evolução desfavorável, com formação de abscessos, a ultra-sonografia pode contribuir para melhor localizar as regiões da mama que deverão ser drenadas.

 

Qual é o tratamento?

 

            O tratamento é feito através do uso de antibióticos por via oral, durante 7 a 10 dias, além de analgésicos e antiinflamatórios.

            Aqueles casos que se complicam, com o aparecimento dos abscessos, requerem uma terapêutica mais rigorosa, às vezes, com internação para a drenagem cirúrgica e uso de antibioticoterapia venosa.

Outras medidas que contribuem para a recuperação mais rápida da mãe são:

  • Manter a sucção da criança na mama sadia. Não há riscos para o bebê e esta postura contribui para diminuir o ingurgitamento mamário;
  • Sempre que for possível esvaziar a mama comprometida, através da ordenha manual – fazendo massagens circulares, do centro para a periferia, ou com auxílio das bombas de sucção;
  • Aplicar compressas geladas sobre a mama afetada, durante 15 minutos, 5 vezes ao dia. O gelo aliviará a dor e diminuirá o ingurgitamento. Nunca aplicá-lo diretamente para não causar queimaduras. Utilizar sempre uma fralda ou toalha entre a compressa gelada e o tecido mamário. Não exceder o tempo recomendado.

 

Existe prevenção?

 

            As medidas que visam impedir o aparecimento das fissuras e do ingurgitamento mamário, precursores da mastite, contribuem de forma direta na prevenção desta intercorrência puerperal. São consideradas boas práticas:

  • Amamentar sob livre demanda, ou seja, sempre que a criança desejar;
  • Iniciar a amamentação precocemente, de preferência já na sala de parto;
  • Começar a mamada pelo peito sadio ou que estiver menos dolorido.
  • Observar se a pega da criança está adequada durante a sucção e variar a posição do bebê durante as mamadas;
  • Não utilizar nenhum outro tipo de alimentação que não seja o leite do peito nos primeiros 6 meses de vida da criança, a menos que haja recomendação do pediatra;
  • Expor os mamilos ao sol e ao vento no período da gestação e enquanto estiver amamentando, entre 10 e 15 minutos ao dia;
  • O uso de buchas vegetais durante o banho fortalece o tecido da aréola e mamilo, deixando-os mais resistentes aos traumatismos;
  • Utilizar sutiãs com alças largas e que promovam boa sustentação das mamas;
  • Não utilizar cremes ou óleos sobre o mamilo e a aréola. A limpeza dos mesmos deverá ser feita apenas com água;
  • Não aplicar produtos vegetais, como cascas de banana ou leite de mamão, com o intuito de curar as feridas. Eles podem agravar o processo e serem fontes de bactérias causadoras da mastite;
  • Evitar o uso de protetores de mamilos, que dificultam a aeração dos mesmos e retardam o processo de cicatrização das fissuras. Também contribuem para confundir a pega da criança.
  • As pomadas, os cremes ou as loções chamadas “cicatrizantes” irritam a pele e agravam as feridas já existentes quando retirados para a criança amamentar. Estas substâncias não devem ser aplicadas. 

 

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