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01/05/2009

Edição EXTRA: Gripe Suína.

Como previnir e tratar? Como ela se transmite?

Gripe Suína
Disseminação rápida preocupa especialistas da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia

 

A gripe suína vem recebendo grande destaque na mídia pela epidemia que parece se instalar especialmente no México. Os últimos dados da Organização Mundial de Saúde atestam que 1.200 pessoas já foram contaminadas, com mais de 100 óbitos atribuídos ao vírus. “No Brasil, algumas pessoas já estão em observação, porém nenhum caso foi confirmado ainda”, destaca Dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

A gripe suína tem origem a partir da contaminação do vírus influenza A, o H1N1, que está em circulação com outro tipo viral, o chamado B. Enquanto que este circula apenas em humanos, o vírus A é transmitido entre diversos animais e, a seguir, entre os homens.

A partir de uma possível troca de material genético entre vírus influenza de homens e de animais, em um processo conhecido como "rearranjo", acontece a produção de um novo vírus híbrido, tão virulento como o da gripe aviária e tão transmissível como a gripe humana.

“Podemos considerar que a doença está em um momento embrionário, uma epidemia. Existe um monitoramento em todos os países, sobretudo no México, no Canadá e nos Estados Unidos, uma vez que a preocupação é que exista uma rápida disseminação do vírus, especialmente pela grande circulação de pessoas por diferentes regiões”, comenta dr. Clystenes Odyr Soares Silva, professor da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo.

Transmissão e sintomas


A transmissão da doença acontece por via aérea, contato manual ou com objetos de pessoas infectadas pelo vírus. Medidas como isolamento dos focos, fechamento de escolas e locais de trabalho e a não formação de aglomerações de pessoas, como grandes conferências e eventos públicos, possuem eficácia limitada para impedir infecções humanas, mas podem retardar a propagação da pandemia.

“É bem provável que a gripe suína seja transmitida antes do surgimento de sintomas. Não há registro, no atual surto, de contaminação ocorrida pelo contato de porcos com humanos, nem pelo consumo da carne de porco, mas sim de pessoa para pessoa”, explica dr. Mauro Gomes, presidente da Comissão de Infecções Respiratórias e Micoses da SPPT.

O nível de alerta da OMS é o 4, que indica a visão da organização de um "crescimento significativo" do potencial de pandemia da doença, o que pode ser grave devido ao grande número de pessoas que podem morrer em decorrência dela.

Os sintomas da doença são semelhantes aos da gripe comum, como febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína relatam ainda catarro, dor de garganta, náusea, vômito e diarréia. Em casos mais graves, pode ocorrer pneumonia, porém não se sabe se por consequência do vírus ou se por associação à outra bactéria.

Prevenção e tratamento

Existem no mercado medicamentos antivirais para a gripe sazonal, típica de inverno, que tratam efetivamente a doença. Eles são indicados quando o indívíduo já iniciou o quadro da gripe e, de preferência, devem ser iniciados nas primeiras 24 horas, sempre indicados por um especialista.

Para a gripe suína, as autoridades nacionais e locais do México e dos Estados Unidos vem recomendando os inibidores da neuraminidase da gripe (oseltamivir e zanamivir), baseadas no perfil de suscetibilidade do vírus. No Brasil, o único desses medicamentos disponível é o oseltamivir, comercializado com o nome de Tamiflu.

É possível, ainda, desenvolver uma vacina contra o vírus influenza suíno, entretanto, não há perspectiva a curto prazo. São necessários pelo menos seis meses para produzir a vacina.

Por enquanto, o que se deve fazer é orientar a população sobre a importância da higiene como medida preventiva. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão; manter uma "higiene respiratória", cobrindo a própria boca ao tossir ou espirrar; usar lenços de papel descartáveis e descartar adequadamente os lenços usados, além de manter os ambientes fechados sempre bem ventilados são as principais medidas.

O uso de máscaras pela população geral não traz um impacto considerável para retardar a transmissão, mas é indicado especialmente entre aqueles com suspeita da doença e/ou em viagem pelas regiões atingidas.

Em caso de suspeita, o paciente deve ser levado imediatamente a um serviço de saúde para avaliação médica.

Os hospitais Emílio Ribas, São Paulo – HSP / UNIFESP, e das Clínicas - FMUSP, que possuem áreas de isolamento, já se preparam para atender qualquer eventualidade relacionada à gripe suína.

 

Fonte: IDMED

 

 

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