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28/05/2009

Você sabe o que é Disfunção do Desejo Sexual feminino?

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Desejo sexual feminino

 

Heloisa Fleury
Psicoterapeuta; Docente e Coordenadora Geral do DPSedes – Instituto Sedes Sapientiae, Coordenadora da Seção Transcultural da IAGP – International Association for Group Psychotherapy and Group Processes; Supervisora do ProSex – Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria e Orientadora do Curso de Especialização em Sexualidade Humana da FMUSP.

Contato: hjfleury@uol.com.br


O que é a disfunção do desejo sexual feminino?
O modelo tradicional de sexualidade humana divide a resposta sexual em quatro fases:
- desejo (fantasias sexuais e desejo por atividade sexual);
- excitação (sensação de prazer sexual, acompanhada de mudanças fisiológicas);
- orgasmo (clímax do prazer sexual);
- resolução (bem-estar e relaxamento muscular) (DSM-IV-TR).
Evidências clínicas demonstraram limitações importantes desse modelo, que não diferencia a sexualidade masculina da feminina. Ao final da década de 1990, Rosemary Basson, psiquiatra canadense, pesquisadora do Centro de Sexualidade da British Columbia University, acrescentou ao modelo tradicional aspectos relacionados à subjetividade da mulher. Mais do que um impulso biológico, esse modelo valoriza o desejo por intimidade como motivação para a atividade sexual.

Considerando a importância para a mulher de aspectos mais subjetivos, ligados a condições psicossociais, culturais e relacionais, a desordem do desejo ou interesse sexual hipoativo é diagnosticada pela ausência ou diminuição do interesse ou desejo sexual, de pensamentos ou fantasias sexuais, estando também diminuída ou ausente a motivação para tornar-se sexualmente excitada.

Quais os tipos de disfunção?
A disfunção sexual é prevalente para os dois sexos e compromete a qualidade de vida, sendo a falta de interesse/desejo e excitação sexual as maiores queixas femininas em todas as faixas etárias. A inibição do desejo envolve aspectos biológicos, principalmente na transição da menopausa, quando ocorrem alterações hormonais. Porém, os estudos têm demonstrado a importância da sua disposição e motivação para o sexo, além da influência de fatores emocionais, ambientais e aqueles relativos ao relacionamento do casal. Por exemplo, mulheres que sentem dor à penetração, nos casos em que o casal não busca outras alternativas de relacionamento, gradualmente vão apresentando uma diminuição do desejo, em decorrência da expectativa de desconforto.
Principalmente em relacionamentos de longa duração, é muito importante que o casal facilite a criação de momentos de proximidade, em que os dois se aqueçam para a atividade sexual, criando o locus para a experiência compartilhada.

Quais as causas?
Hoje, é consenso entre os especialistas da área que aspectos subjetivos, relacionados principalmente à própria mobilização para o sexo e ao contexto criado pelos parceiros, são de fundamental importância para a maioria das mulheres. A experiência sexual pode começar sem motivação sexual suficiente, apenas com o desejo por maior proximidade, envolvimento, compartilhamento, carinho, além de outras razões de caráter não sexual.
Nessas condições, a mulher estará mais disponível para buscar condições favoráveis, como o diálogo, a música, o erotismo escrito ou visual, ou a estimulação física direta, desencadeando a excitação.
Além desses aspectos mais subjetivos, as disfunções sexuais femininas podem ser desencadeadas também por fatores orgânicos, como doenças crônicas, por fatores psiquiátricos ou psicológicos e também por dificuldades relacionadas a abuso sexual, dificuldades conjugais, experiências familiares difíceis ou até mesmo pela diminuição da renda familiar, confirmando o impacto de aspectos mais subjetivos na sexualidade feminina.

Quais os sintomas?
Nem sempre a mulher identifica a inibição do desejo como uma dificuldade, atribuindo a outros fatores a diminuição da atividade sexual do casal. No entanto, como hoje é consenso que a vida sexual é um elemento importante para o bem estar geral do ser humano, recomenda-se que os profissionais de saúde pesquisem essas dificuldades.

Como é feito o diagnóstico?
Além de uma avaliação médica tradicional, tem sido recomendada uma avaliação multidisciplinar, em que aspectos psicológicos, sócio-culturais e relacionais sejam considerados.

Qual o tratamento?
Recomenda-se tratamento médico quando há um comprometimento orgânico comprovado.
Havendo histórico ou indícios de comprometimento emocional, conflitos relacionais do casal ou disfunção sexual do parceiro, é preconizado uma avaliação psicossocial para eventual tratamento psicológico.
O atendimento psicológico é recomendado para aquelas mulheres com histórico de abuso ou violência sexual, com pouca energia e vitalidade, com a auto-imagem e o vínculo conjugal comprometidos, com fantasias relacionadas ao descontrole, com ansiedade excessiva e com pouca flexibilidade para adaptação às alterações decorrentes do envelhecimento ou de sintomas próprios de doenças crônicas ou cirurgias mais sérias.

Fonte:
Esse texto sintetiza informações mais detalhadas disponibilizadas na Dissertação da autora, publicada no website www.heloisafleury.com.br - Fleury HJ.
Estudo comparativo entre dois modelos de intervenção em mulheres na perimenopausa: modelo fitoterápico e modelo psicoterapêutico sexual associado ao fitoterápico [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, 2006.

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