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Envelhecer.....
Mara Suassuna
Psicóloga Clínica e Organizacional, Graduada em Psicologia pela PUC - Goiás, Especialista em Gerontologia e Saúde do Idoso pela UFG - Goiás, Pós Graduada em Administração de Empresas pela FAAP/SP, Mestranda
O Brasil é ainda novo nas questões idosas, a Lei n° 10.741 que sanciona o Estatuto do Idoso ainda se encontra na infância datado de 1° de outubro de 2003, as políticas públicas voltadas a esse segmento populacional começa a dar seus primeiros passos num longo percurso em direção a busca por uma sociedade de idosos respeitados socialmente e com qualidade de vida.
Urgente e necessário é repensar a velhice, propor alternativas e utilizar todos os canais para a discussão de nossos futuros.
O envelhecimento populacional no Brasil é coisa rápida tal qual as conexões no mundo globalizado, existem atualmente segundo o IBGE em torno de 15 milhões de idosos , com uma projeção para 2025 de aproximadamente 30 milhões, em Goiás mais de 360 mil pessoas possuem idade acima de 60 anos e torna-se imediato assegurar um envelhecimento em nosso estado, no Brasil , no mundo com dignidade, qualidade de vida e garantia de cidadania para a população idosa.
No artigo terceiro do Estatuto do Idoso as responsabilidades são claras : É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade , a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”
Há muito o que percorrer, acredito que iniciar a largada rumo ao envelhecimento é nosso primeiro passo.... as pessoas
esperam chegar aos 60, 65 para se encaixarem na cronologia de ser idoso. Não somos mais idosos em função dos anos vividos, o tempo emocional, o tempo das experiências não se mede em segundos, minutos , horas ou anos, podemos em minutos experienciar coisas que valem por anos a fio, portanto somos o que vivemos mas preponderantemente da forma como vivemos nosso tempo, não me refiro ao cronológico, mas o experiencial, emocional.
Muitas pessoas esperam pelo tempo de ser idoso( como uma mera construção social e cronológica) para se ater as questões do envelhecer, afinal nos preocupamos com o tempo de agora, temos 20, 30 40 anos, quando chegar na idade madura , quando estivermos idosos , veremos o que acontece , e tem sido assim.... uma preocupação de futuro, para o futuro.
Mas de forma quase que imperceptível vamos buscando formas de driblar o tempo marcado pelo cronos, são diversos mecanismos: estéticos, plásticos , na tentativa de fomentar a juventude, como forma de deter um processo natural do existir, ou viver....
Gente idosa no Brasil é sinônimo de despesa para a previdência, motivo de desrespeito em filas, em assentos garantidos e não respeitados, ou seja um País que não se percebeu envelhecendo e portanto incapaz de respeitar a pessoa idosa.
Teremos que esperar pela sociedade de cabelos brancos constituídas dos jovens de hoje, ou seremos capazes de reinventar a velhice?
Esse momento tão breve de trocas de silabas, frases, palavras, é mais do que um simples texto, é a oportunidade de refletirmos sobre nossos velhos pensamentos sobre a nova velhice que pretendemos construir, tal tarefa não começa apenas com ou através das políticas públicas, começa com o idoso que habita dentro de cada um de nós e que a cada momento vivenciado , vai se revelando numa dança calma e tranqüila na superfície do processo de envelhecer.