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por Evelyn Vinocur
É triste dizer, mas a depressão não é só problema de gente grande. Estima-se que 10% das crianças tenham algum
sintoma do mal em algum momento da vida. Na maioria dos casos, ela surge aos quatro ou cinco anos. Infelizmente muitos pais demoram a perceber a disfunção, achando que ela faz parte do jeito de ser da criança. Aliás, muitos até acham bom que o filho seja quietinho e não dê trabalho. E acreditam que o fato de ser agarrado aos pais é erro de criação, e não doença.
A depressão infantil normalmente ocorre através de quadros atípicos, escondendo verdadeiros sentimentos depressivos sob as mais diversas máscaras, como irritabilidade, agressividade, hiperatividade, rebeldia. Outros apresentam dores pelo corpo, choro sentido, ou sintomas psicossomáticos como dor na barriga, na perna, vontade de vomitar, urticárias, ou ainda sintomas emocionais como vergonha e medos. Outro empecilho ao diagnóstico correto nos pequenos é a própria dificuldade de a criança expressar o que sente, daí que muitas acabam somatizando e desenvolvendo doenças por conta da depressão.

Os adultos (pais, professores e responsáveis) devem ficar atentos quando a criança não apresenta, ou deixa de ter, os comportamentos típicos dessa idade, como a curiosidade, o fato de querer estar sempre explorando o ambiente, a vontade de brincar. Se ela fica permanentemente quieta, se nenhuma brincadeira interessa, se não tem curiosidade para explorar, fica insegura quando está longe dos pais ou, ainda, se vive com dor de cabeça, de barriga, com o sono ou com o apetite alterados, isso é um sinal de alerta. O pequeno deprimido é muito diferente da criança tímida, que se sente bem em pequenos grupos ou mesmo sozinha. Esses pacientes não estão bem nunca em nenhum lugar.
Na depressão infantil também há um componente genético, que pode ser disparado por gatilhos como lutos, perdas, separação dos pais, mudanças estressantes no dia a dia. Sem tratamento, a doença compromete o desenvolvimento dela e o rendimento escolar. Além disso, será mais propensa a usar drogas na adolescência. Nos pequenos, a saída também está na psicoterapia e muitos deles também precisam de remédios.
Evelyn Vinocur é psicoterapeuta cognitivo-comportamental. Atua há mais de 30 anos na área de saúde mental de adulto e é especializada em saúde mental da infância e adolescência. www.evelynvinocur.com.br
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