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TPM
Dr. Carlos Petta
Professor livre docente de Ginecologia da Unicamp, responsável ambulatório de Endometriose no CAISM-Unicamp e Diretor do Centro de Reprodução Humana de Campinas.
Contato: cpetta@attglobal.net
Aproximadamente 3 a 8% das mulheres em idade reprodutiva têm a forma mais grave de TPM. Entretanto, entre 13 e 18% das mulheres sofrem de sintomas clínicos significativos na fase pré-menstrual do ciclo e 75 a 80% tem algum sintoma pré-menstrual. No Brasil, a prevalência de TPM é ao redor de 60% das mulheres.
Na época da TPM, as mulheres relatam menor desempenho físico e mental, aumento de dias com menor produtividade, aumento de dias perdidos de trabalho por problemas de saúde e aumento do número de visitas ao médico. A piora na qualidade de vida em mulheres com SDPM na semana antes da menstruação é equiparada a aquelas com depressão crônica.
Os principais sintomas da TPM são as alterações psicológicas, ganho de peso, mastalgia, inchaço de mãos e pés, dores, pouca concentração, alterações do sono e mudança de apetite. Estes sintomas devem ocorrer nos 7 dias que antecedem a menstruação.
No período pré-menstrual há uma piora ou acentuação de outros sintomas. Esta exacerbação pré-menstrual pode ser observada nas doenças médicas como asma, artrite, fadiga crônica, diabete, hipotiroidismo, lupus, cefaléia, esclerose múltipla e ataques; nas doenças neuropsiquiátricas como ansiedade, bipolar, depressão, distimia, pânico, desordens de personalidade, esquizofrenia, abuso de drogas e suicídio; e doenças ginecológicas como dor pélvica crônica, dismenorréia, dispareunia, endometriose, cefaléia menstrual e sintomas na peri-menopausa.
Mesmo com o grande número de mulheres que sofrem com a TPM, o problema em geral é esquecido e pouco trabalhado nos consultórios médicos. As mulheres procuram em média quase 4 médicos e levam mais de 5 anos em média até ter sua TPM diagnosticada. Oitenta e cinco por cento relatam ter utilizado mais de um tratamento para TPM e 45% dizem que precisam de uma ajuda maior. Das que tem sintomas severos, menos de 50% buscam tratamento médico e 50% acha que nenhum tratamento resolve.
Existe uma demora no diagnóstico dos sintomas pré-menstruais e, em média, a mulher passa por 3,8 médicos e demora 5,3 anos para ser diagnosticada com TPM. Em um estudo, 85% das participantes relataram que tentaram um ou mais tratamentos para a TPM/SPM, e 45% desejavam maior ajuda do que receberam. Das mulheres com sintomas severos pré-menstruais, menos da metade tinha buscado ajuda médica, a metade falou que nenhum tratamento ajudou e 89% das mulheres com TDPM ficaram sem diagnóstico. Esses achados poderiam sugerir dificuldades na comunicação entre mulheres e ginecologistas, ou por que elas não consigam expressar adequadamente seus sintomas ou por que os médicos tampouco têm clareza sobre as manifestações cotidianas dessa entidade clínica.
Por todas estas razões se torna clara a necessidade das mulheres em identificarem seus sintomas como relacionados ou não a TPM e discutir estes problemas com seu médico para juntos alcançarem o alivio dos sintomas, quer seja por melhoria da qualidade de vida, exercícios, alimentação ou até o uso de medicamentos, se forem necessários.