- Nordeste Tudo Tem:
- Home
- Quem Somos
- Anuncie aqui
- Classificados
- Fale Conosco
Publicidade
Escrito: Dr Thiago Monaco
Frequentemente o geriatra é procurado para os exames de rotina. Essa preocupação reflete uma melhor postura das pessoas em relação à sua saúde, reconhecendo que a prevenção é importante. No entanto, que exames uma pessoa deve fazer com o intuito de se prevenir?
A resposta para essa pergunta aparentemente tão simples é: depende. E para entendermos por que depende, precisamos entender o que é um exame de check-up, ou de rastreamento, como dizemos tecnicamente.
Para nos ajudar a prevenir, um exame tem que ter algumas qualidades. Em primeiro lugar, tem de ser um exame seguro. Não faz sentido alguém chegar ao médico sem sintomas e ter de fazer um exame perigoso. Além disso, outras características têm de estar presentes nas doenças que queremos prevenir: os exames de rotina são direcionados ou para detecção de fatores de risco ou determinadas doenças. Falemos primeiro das doenças. Para serem incluídas em um check-up, essas doenças precisam:
• Ter uma fase assintomática de doença que possa ser detectada pelo exame (se a doença dá sintomas sempre que aparece, ela permitirá que o paciente venha ao médico, quando possivelmente fará exames de diagnóstico, não de prevenção; ou então, melhor ainda, essa doença pode ser prevenida antes que aconteça – falaremos mais tarde dos fatores de risco);
• A detecção precoce dessa doença (ou seja, antes de seus sintomas) precisa fazer diferença no curso da doença, ou seja, diagnosticar essa doença antes da fase sintomática ou aumenta as chances de cura ou de sobrevida ou melhora a qualidade de vida de alguma forma que não seria possível se esperássemos a fase dos sintomas (se não faz diferença fazer o diagnóstico precoce de uma doença, não faz sentido ficar fazendo os exames!);
• A doença em questão precisa ser comum na população geral ou o risco de aparecimento em um paciente específico precisa ser alto: também não faz sentido fazermos testes de detecção precoce de doenças que aparecem em uma pessoa a cada 10 milhões!
Agora falemos dos fatores de risco:
Ou seja, aquilo que precisamos dizer é: um bom check-up precisa fazer o bem para a pessoa que o realiza – ou fazer o bem ao detectar alterações que possam ser tratadas a tempo de melhorar a saúde ou fazer o bem ao mostrar que a pessoa está livre de um ou de outro problema comum.
Com esse conceito, nós podemos melhorar a resposta: Saber quais exames fazer depende de quais são as doenças comuns em uma determinada população (dentre aquelas que preenchem os requisitos acima), associadas aos riscos familiares e pessoais de cada paciente (nesses riscos temos que considerar hábitos de vida e de saúde, como atividade física, fumo, etc.). Assim, não existe uma resposta por idade ou história familiar somente. É do cruzamento dos dados do paciente com sua idade e com o perfil de saúde da população que o médico vai montar a melhor bateria de exames para cada paciente.
Como uma regra geral, vale a pena procurar seu geriatra pela primeira vez por volta dos 30 anos de idade. Ele fará uma consulta detalhada e, através de dados de seu histórico familiar e hábitos de saúde pessoais, selecionará os exames que sejam mais adequados para seu perfil.
Mas dá para se ter uma boa ideia, a princípio, de quais são esses exames. Algumas doenças começam a ficar cada vez mais comuns algumas a partir dos 30 anos, outras um pouco mais tarde. Exemplos:
• Hipertensão arterial: após os 18 anos de idade, devemos medir a pressão pelo menos a cada 2 anos, sempre que estiver normal;
• Câncer de mama: mamografia para todas as mulheres acima dos 40 anos, anualmente;
• Câncer de intestino: após os 50 anos: pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente ou retossigmoidoscopia a cada 5 anos;
• Diabetes: após os 45 anos devemos fazer a glicemia de jejum uma vez por ano;
• Anemia: pode ser detectada precocemente com um hemograma a cada ano e, a partir daí, a investigação deverá levar às suas causas e tratamento;
• Função da tireoide: em mulheres, a partir dos 35 anos e a cada 5 anos a partir daí;
• Colesterol ou triglicérides altos: devem ser medidos uma vez por ano ou duas vezes por ano em pessoas com alto risco;
• Depressão: sempre deve ser pesquisada em idosos, pois muitas vezes os sintomas atípicos impedem o diagnóstico; fazemos a pesquisa através da consulta médica, idealmente uma vez por ano ou sempre que houver suspeita;
• Síndromes demenciais (dentre elas, a mais comum é a doença de Alzheimer): devem ser pesquisadas em idosos pelo menos uma vez ao ano;
• Osteoporose: a densitometria óssea deve ser feita em mulheres após a menopausa; se o exame é normal, deve ser repetido ao menos a cada 2 anos.
Importante ressaltar que a frequência dos exames acima ou a idade com a qual começamos a fazê-los varia de acordo com o histórico familiar, o exame físico e os hábitos de vida de cada um. Assim, o ideal para se fazer um “check-up” benfeito e que vai realmente prevenir doenças e melhorar a sua saúde, promovendo um envelhecimento saudável, é consultar um geriatra e estar com sua saúde acompanhada por ele.
Dr. Thiago Monaco é Médico pela Faculdade de Medicina da USP, Ex-membro do corpo clínico do Hospital das Clínicas da FMUSP, Doutorando pela Faculdade de Medicina da USP, Professor Assistente de Geriatria da Universidade de Santo Amaro. Contato: dr.thiago@envelhecerbem.com / www.envelhecerbem.com